20 Abril 2012
23 Fevereiro 2012
a pedra abstrata
ele trata a questão como se fosse penugem de dor
o peito abstraindo-se
cozinhando remorso em areia
ele campeia seus músculos, ossos, nervos na busca de algo que lhe faça homem
não esse homem que todos conhecem
outro
mais capaz de acelerar a concretude de fazer os gritos necessários
um homem totem de carne
sem a pedra, sem o caos habitual que definha seu futuro
um homem desnudo
desmascarado
só
mas a pedra abstrata não abstrai-se
continua sem trégua sobre o peito
as saídas apontadas sonharam-se vãs
o que tem é falta de ar
falta de olhar e micoses nas dobras
e a pedra
a pedra que cresce a cada dia
e que já esmaga o estômago e a boca.
16 Fevereiro 2012
Pela reabertura das negociações e pela paz no Atlântico Sul
07 Fevereiro 2012
O reparador
Amor novo. Ele mentiu-se reparador de tudo.
Ela, claro, aproveitou:
lâmpadas, chuveiros, pias, bacios de banheiro, portas, janelas e paredes.
Ele, no começo, não reclamava, pois ela sempre o amaciava antes com um amor de coxas, uma boca mais atenta, um gemido mais dentro. Reparou a casa da sogra, da madrasta, da tia com parkinson, da vizinha virgem e de quem mais ela pediu.
Um dia ele disse que estava cansado, que não queria atravessar a cidade para reparar a casa da prima em terceiro grau.
Ela, claro, amuou. Salgou demais a comida, manchou sua melhor camisa, negou-lhe os gemidos de que tanto gostava.
Por fim, ele atravessou a cidade para reparar as coisas da prima. Não voltou mais.
Eulália, a prima em terceiro grau de seu antigo amor, tinha artimanhas bem mais intensas e não lhe cobrava pelos serviços. Dizia que homem seu não iria fazer coisas inúteis.
Até onde se sabe continuam se amando sob as goteiras.
30 Janeiro 2012
28 Janeiro 2012
27 Janeiro 2012
16 Novembro 2011
éguas e águas

06 Outubro 2011
Eu vi o futuro
27 Setembro 2011
Eu estou tão cansado,
mas não pra dizer
que eu estou indo embora.
Talvez eu volte,
um dia eu volto"
diz uma canção da minha idade.
Venho às portas desta casa para cantá-la
velho que sou
já não entro na casa há mais de mês
ninguém deu por falta, ninguém lamuriou-se com as portas fechadas,
com o veio seco desse velho poeta
um dia eu volto,
com o casaco de general ou de doutor
com a pulhice plena dos achaques à vida, um dia eu volto,
Breton, Bataille, Blanchot - BBB institucional
o que seria de vocês se acaso tivessem uma casa virtual?
o que seria de suas velhices incômodas se raramente entrassem nela, não por que vazia, mas porque o vazio estaria em vocês, mais, c´est vous, nessa sua língua sem ser e estar.
Pronto, mais um passo dentro da casa, mais uma limpeza dos corredores, os cantos ainda sujos, um dia eu volto, um sábado qualquer eu volto para (me) limpar a casa.
08 Agosto 2011
Poço. Pai
(E demais memórias inventadas)
Ajoelhado,
à beira do poço,
o menino narcisa-se.
Mais do que um menino-narciso que ficava à beira do já feito, ele, junto com o pai, cavou seu próprio poço.
Lembra-se com candura: primeiro, o pai precisava saber por onde a água passava, qual o caminho secreto que ela tinha abaixo dos seus pés. Para isso chamava-se o Seu Lolo, que andava em todo o terreno com a forquilha na mão e ali, num canto qualquer do pasto, como que por milagre, aquele galho de árvore, fino, desprovido de qualquer força aparente, vergava-se em direção à terra, e dava a convicção ao Seu Lolo: pode cavar aqui.
– É de certeza, Seu Lolo? – O pai ainda duvidava, adulto. Ele não!
– Vamos cavar aqui, pai. – Não viu a forquilha quase sair da mão do Seu Lolo, tanta força fez para o chão. Tem água lá embaixo, sim.
O pai, quase bronqueado pela insistência do filho, por fim aceitava, e começavam a cavar.
Primeiro, a terra mole, escura, alimento para a grama do pasto, depois algo mais seco, arenoso. Seguiam cavando, cavando. A terra ia mudando. O fascínio ia crescendo à medida que encontravam folhas, gravetos, vestígios de tempos mais do que antigos.
– Já imaginou, pai, se a gente achasse um dinossauro?
– E lá isso existe? Nesse barro mole, tu só vai encontrar é folha morta mesmo.
E seguiam cavando. A umidade já aparecia na parede do poço, logo chegariam à água sagrada. Logo se confirmaria a ciência do Seu Lolo.
– Onde será que ele aprendeu a fazer, pai? Esse negócio de achar água assim, com a forquilha.
– Coisa dos antigamente, meu filho.
– Mas o senhor já tentou?
– Tem que ter o dom, ter o dom. Teu avô não tinha, eu não tenho, é bem capaz de tu também não ter.
E seguiam cavando. Ele um pouco mais triste, não ia ter o dom de achar água. Depois, um terreno argiloso. Esquecia um pouco do poço e ia ser escultor. A argila tornava-se barco, patos, cachorros, pessoas. Ria da feiúra de seus bonecos. Queria mesmo era cavar o poço, encontrar a água.
– Logo a gente chega no veio d’água, pode deixá!
E o pai cumpria o dito:
– Opa, chegamo!
Aos poucos, a água nascia, misturava-se ao barro, vinha subindo, suja, mas viva, dando razão à certeza do Seu Lolo.
– Amanhã tá cheio, aí a gente já pode ver se a água é boa mesmo.
Desde então, sempre vai ver o poço, ver se a água continuava presa e límpida espelhando-o viver.
Escrito num fim de verão, em 2008
30 Julho 2011
Minhas mulheres
um oco baixo me acontece
a milhares de anos e léguas
minhas mulheres são medusas
talvez até fossem éguas se me permitissem a rima
minhas mulheres são granfinas
suas orelhas permanecem virgens a insultos
se lhes digo putas ouvem dálias
se lhes digo cadelas ouvem mar
e olham-me com carinho, como se de carinho fossem feitas
minhas mulheres rarefeitas em miséria, em virilhas
novilhas cruciadas
carnadas para meu prazer de homem
tenho remorso por comer minhas mulheres
sem lhes temperar, sem dizer que tudo não será abandono
que o dia seguinte é um útero
um vórtice de carne e travesseiro
e que talvez suas orelhas virgens possam entender, atender a ligação
30 Junho 2011
30 dias
o esôfago: cartilagem acetinada que carrego dentro
são latidos e gemidos : meu filho meu dono meu tudo nao escape
não se perfume tanto no abandono
30 dias em que palavras foram doces amestrados
ametistas corroíras presas no jardim
30 estrangeiros estirparam meus ouvidos
e a falência de meus órgãos
sou um menino descampado
um príncipe pequeno
retificado na educação
e nos olhos ingênuos
30 Maio 2011
18 Maio 2011
A pressa
é uma pedra
não sou Sísifo
embora pareça
a pressa me acontece
mais como a montanha:
subir e descer
a pressa é um disfarce
um silêncio em máscaras
que carrego feliz
a pressa me acontece
no lugar da perda
08 Abril 2011
Pro Mittere

Ilustração: Goya
30 Março 2011
El perro
a casa cercada por cachorros
por dentro
un perro se remorde
remorso ancestre
dos tempos em que
as quatro patas
sabiam a terra
sabiam os pelos da barriga,
do sexo, das costas.
II
a casa cerrada para os cachorros
à porta,
olham para o bípede
ladram ao traidor
el perro se ressente
senta-se no sofá
e escreve um poema elevado
homem que é
23 Março 2011

não tem feriado: tem fome
e tem fácil
meus pedaços nobres
a serem oferecidos às visitas
e meus miúdos
para o ensopado da segunda-feira
Ilustração: Lucian Freud
18 Março 2011
a palavra vesga
agachou-se
acamou-se fêmea e foice
439 vezes
a palavra nesga tentou ser mais
não pode:
acalmou-se
mosca sobre a mesa
esperando a morte
vinda pela pazinha de plástico
08 Março 2011
16 Fevereiro 2011
19 Janeiro 2011
Porcelana
Letra minha, música de Rico Vogel, o guitarrista da banda Lady Murphy
15 Dezembro 2010
que frio fia-se sobre o outro
tempo dos avessos agora
a dor crespa da espera
e
a espera vesga do fim
logo ali o apocalipse
os quatro cavaleiros
e suas espadas festivas
logo ali um sol menor
mentindo-se verão
e a pele cada vez
mais branca
transparência
teu nome é o soco
que consigo pronunciar
22 Novembro 2010
Dia 23/11 - Lançamento Crônica de Gatos

Reforçando o convite para o lançamento do livro "Crônica de Gatos", uma parceria minha como a ilustradora Regina Marcis
Livro: Crônicas de Gatos Local: Estação da Memória (antiga Estação Ferroviária) Rua Leite Ribeiro s/n Dia: 23 de Novembro de 2010 - a partir das 18:30h
Aguardo vocês lá
abraços
Rubens
31 Outubro 2010
Clara Nunes - "À Flor da Pele" (Fantástico, 1978)
ouçam, enquanto o poema não vem...
25 Outubro 2010
19 Outubro 2010
15 Setembro 2010
Crasso
a cópula desdentada entre capins
os mastins catingando esteiras
a vida esfregando-se na morrinha cotidiana
azul lá fora, preconizam
aqui dentro os porcos chafurdam
fossem serpentes, fossem cavalos, rinocerontes
mas porcos e seu olhar vesgo
sua cambaleante banha e brancura
azul lá fora, preconizam
não tenho escolhas
só escolhos
levarei meus porcos à beira-mar
05 Setembro 2010
Vittório
meu pau em estado vegetativo desarma a pouca hombridade que me resta
o reumatismo evidencia a ruptura
os rompantes duros de antanho são memórias
histórias inaptas ao devir
tenho medo e silêncio
nesse domingo fragoso
tenho vísceras presas
no quarto de banho
tenho carregosos espasmos quando nu
sei de meu corpo desinchado
dos poros ocos
das pleuras e cardiopatias
desse retumbar por dentro
entre catingas: boca estômago intestinos bexiga pés sovaco
tudo exala a violência incolor da morte
porta de vidro para o invisível
23 Agosto 2010
18 Agosto 2010
será que serei um desses velhos excursionáveis?
11 Agosto 2010
22 Julho 2010
ele não sabe o que faze_
ele olha pa_a seu nome
_ubens
fica est_anho
estanho mesmo
sua lingua p_esa
pesa ago_a mais sem o e__e
é um pa_adoxo:
a esc_ita esvazia-se
a fala engo_da
um engodo qualque_
de quem não tem o que fala_
nem esc_eve_
no dia em que
o _ato _oeu a _oupa do _ei de _oma
01 Julho 2010
no entre as virilhas
na cova umbigo
talvez na quinta vértebra
entre um e outro ouvido
no prepúcio
calcanhar
dedos da mão
pelos da cara
no curvo coração
ou no reto
no diafragma
ou na testa
sob a pápebra
atrás da retina
vasculhe, vasculhe
esvazie as veias se preciso
limpe o intestino
os rins
o fígado
a glote
vigie o tutano
os nervos
vasculhe, levante
sacuda, abra
pulmão
testículos
próstata
sola do pé
não desista
insista, vasculhe
perscrute
que é palavra melhor
que está em algum lugar
não cague
não cuspa
não vomite
não retire
ceras
ramelas
os sem nome do nariz e dos baixos
deixe tudo dentro
até encontrá-lo
quando acontecer
extirpe
rasure
e o abandone ao próximo corpo
16 Junho 2010
tenho erros e vísceras,
tenho materia mas me faltam penhascos
é o medo de ficar oco
de partilhar sombras e rasos
sou um mamífero,
melhor, inseto,
melhor, peixe qualquer dentro de um rio poluído,
daqueles que geram admiração nos passantes:
param a beira do rio e pronunciam:
pobrezinho, nada feliz no rio que imundamos.
Dou saltinhos por sobre a água
e agradeço à breve contemplação humana.
02 Junho 2010

Sou um homem triste com um beijo entravado, entrevedo, na mucosa.
19 Maio 2010
Ciúme
em escuridão, víbora e ofensa.
Não existe artesão capaz de criar
tal espécie de ordem: tão escudo,
tão cristal, tão imersa nos fantasmas
da beleza, tão pressa ou precipício.
Deter-se neste rosto: remoer-se
como se fosse carne nos açougues.
Atar-se ao pescoço da discórdia:
corda intumescida no desprezo
de todo o tempo ser quase inocente,
quase sempre débil nos levantes
que o amor orquestra, antes de morrer
no exílio infalível do esquecimento.
11 Maio 2010
01 Maio 2010
Sem anestesia
- E precisava fazer isso?
- Mas... ele disse que tava doendo.
- Tá! mas não tinha alicate, chave inglesa? Qualquer merda para arrancar esse dente?
- Nós tentamos, mas o alicate não coube na boca, aí ele falou: “corta”...
- E você cortou? Tá maluco?
- Mas ele pediu! Eu ainda perguntei: tem certeza?
- E ele respondeu o quê?
- Bem, se ajeitou aqui sobre este tronco e falou: “Pode meter o machado no pescoço”
19 Abril 2010
O vaso
Machucou? Tem certeza? Sobe para tomar água com açúcar.
Aceitou, subiu, A moça trouxe água com açúcar,
Me chamo Maria e você?
João, João Jesus de Deus,
Por isso tão protegido,
Mora sozinha?
Só eu e Deus,
Não seria bom mais um Deus por aqui?
Maria nunca mais derrubou vaso algum da janela.
12 Abril 2010
Enquanto o poema não vem
Classe Média, por Max Gonzaga
07 Abril 2010
Voz de Mulher
Edson Cordeiro canta a música de Sueli Costa e Abel Silva
19 Março 2010
Rins
É um pouco de comiseração, um pouco de estética, me disse.
Passo a língua em suas costas.
É um pouco de ferrugem, um pouco de culpa, lhe digo.
E nos amamos crucificados.
Cristos desnudos sob o olhar dos cachorros da família
Finjo não perceber que a frieza do metal me perturba os mamilos, a boca,
o aparelho de meus dentes, meus olhos não pregados.
Ri. Pede mais um pouco de atenção e saliva.
Mistura aqui com esse sangue, me diz.
E se espreme, se exprime em carne viva, bem onde os pregos entraram.
E me filtra com seus rins pregados.
Vou fazer falta, ameaço.
Ri.
O mijo morno adorna os cantos da cama.
Cárcere líquido.
e dormimos, púrpura, azul,
vazio.
No lugar dos rins, feijões.
10 Março 2010
Vazio
- não fome -
é outro buraco
a auréola perdida
pescoço livre
caibro e corda
são esperas
o pão engolido
distrai o abismo
pela janela
um pedaço de sol
destrói a manhã
03 Março 2010
Métrica da Pele
o corpo senzala a solidão
tudo reverbera
pérola cama folhas dedos
tudo recende ouro
outro tato testemunha
o dúplice o códice
o vórtice esmigalhado
a métrica da pele
amanhece imprecisa
esquece as saídas
as sombras do dia
e escande-se
gato sorte amor
por sobre os lençóis
e dorme de novo
em noivo silêncio
dentro da luz nua
do futuro
16 Fevereiro 2010
Retina de Arame
meu ato de sangue
meu casto incenso
Ana quer defumar-me
feito porco
em tiras, em postas
em respostas que não posso dar
pois Ana fantasma-se há anos em mim
suas palavras chilenas
seu nome completo
Ana Maria Fuenzalida
lidam com minhas fraquezas
meus silêncios impuros
lamento tanto esse muro
esse Andes de carne que faz de Ana
algo maior do que posso ver
talvez tudo isso
seja um tanto de distância
um tanto de desgosto perfurando
minha retina de arame
Ana talvez nada seja
além de um pássaro sobrevoando o Pacífico
além de uma mulher pedindo meu relato
o obtendo apenas
o meu pouco poema
30 Janeiro 2010
Relato
Estive numa praia quase deserta com nome estranho, mais ao sul de onde vivo. Eu soube que baleias invisíveis a visitam nas manhãs de janeiro. Fazem filhos e gritos na rebentação. Só quem pode ver e ouvir são as vacas que pastam nos arredores. Elas levantam a cabeça, param de ruminar, como que exigindo silêncio e ficam embevecidas com o sexo e a voz das baleias. As pessoas do lugar já se acostumaram. Quem chega de fora admira-se com a postura das vacas e tenta a todo custo ver e ouvir baleias também, mas nada consegue além de salgar-se no mar bravio. Foi quando eu vi uma mulher engarrafar palavras e jogá-las ao mar. Perguntei o que estava fazendo e ela me respondeu:
- Quero que as baleias engulam minhas palavras, se acostumem comigo, saibam quem eu sou, pois no último dia de janeiro eu vou embora com elas.
Amanhã, eu voltarei à praia. A mulher disse que eu não preciso levar bagagem nenhuma.
Palavras emprestadas 16 - Nelson de Oliveira
Nelson de Oliveira, in O Século Oculto e outros sonhos provocadores. Ed Escrituras.
22 Janeiro 2010
17 Janeiro 2010
Presente
Mara me faz feliz presenteando-me com um texto.
14 Janeiro 2010
André Dahmer me usando
08 Janeiro 2010
Revista Zunái
os poetas são:
Fernando José Karl ( cujo blog Nauttikon também merece a visita)
Ramone Abreu Amado ( o blog Pausa da Poesia não está atualizado, mas possui um arquivo que irá surpreendê-los)
Dennis Radünz
Rubens da Cunha
Péricles Prade
Rodrigo de Haro
06 Janeiro 2010
24 Dezembro 2009
A Gorda Sombra

A gorda na janela tampa o sol da manhã.
Nanô, o namorado, sempre lhe pedia:
fica na janela que eu quero te ver dando sombra à minha vida.
Todos os dias, a gorda postava-se à janela e sombreava a casa.
Só que para Nanô não bastava ver sua amada de costas.
Não bastava receber dela o frescor de sua sombra.
Nanô queria possuir aquela mulher como nenhum outro poderia.
Ele queria ser aquela mulher.
Tanto era o amor, que certa manhã ensolarada, a gorda sentiu um toque diferente.
Não o costumeiro toque de Nanô.
Ele pediu calma, calma que hoje vai ser melhor.
Aos poucos, Nanô foi se encostando, se amalgamando, se fazendo a gorda.
E ela gozando, suando, não pára, não pára.
Lá fora, o sol brilhava alto.
Dentro da casa, um corpo gordoamoroso passou a iluminar as paredes, os móveis, as roupas.
E a vida ali nunca mais conheceu a noite.
22 Dezembro 2009
Alcione - a voz
Aqui, Alcione canta as agruras de quem não consegue se livrar de um amor manipulador. Quero ver quem tem a coragem de atirar a primeira pedra quem ainda não viveu à sombra de alguém...
Nesse, o clássico absoluto na mesma linha "dependente total do teu jeito de ser
"
e para finalizar o post humilhação amorosa, outro clássico
14 Dezembro 2009
Baladas / Irrealidades
12 Dezembro 2009
Uma vida em 13 degraus - Décimo Terceiro degrau
11 Dezembro 2009
Uma Vida em 13 degraus- Décimo Segundo Degrau
09 Dezembro 2009
Uma vida em 13 degraus - Décimo primeiro degrau
08 Dezembro 2009
Uma vida em 13 degraus - Décimo Degrau
07 Dezembro 2009
Uma vida em 13 degraus - Nono Degrau
06 Dezembro 2009
Uma vida em 13 degraus - Oitavo Degrau
05 Dezembro 2009
Uma vida em13 degraus - Sétimo Degrau
04 Dezembro 2009
Uma vida em 13 degraus - Sexto Degrau
02 Dezembro 2009
Uma vida em 13 degraus - Quinto Degrau
01 Dezembro 2009
Uma vida em 13 degraus - Quarto Degrau
30 Novembro 2009
Uma vida em 13 degraus - Terceiro Degrau
29 Novembro 2009
Uma vida em 13 degraus - segundo degrau
28 Novembro 2009
Uma vida em 13 degraus
Aviso aos sensíveis: não foi uma vida fácil, como também não será fácil me conhecer...
Primeiro Degrau:
Eu condenava. Criança percebi isso: eu condenava. No primeiro degrau, as asas dos butucões, dos marimbondos, as cabeças dos besouros, as manchas alegrinhas e insuportáveis das joaninhas e borboletas. Eu condenava. Cada bichoinseto que eu via e conseguia capturar, requintadamente eu açoitava, depois espetava-lhes finos alfinetes, até que parassem de se mexer. Criança eu sabia que o treino deveria começar cedo, deveria começar pelo ínfimo, para depois alargar-se até o máximo, até o humano, quem sabe...
11 Novembro 2009
ida e volta em três atos líricos

ouço a volta
a carne de pescoço
o osso buco
meu embargo nada faz
eu nado amargo no sangue
enquanto nossas bocas se cruzam
como se fossem cães, escadas,
ou venenosas bocas cristãs
2
arrependo-me de cada passo
de cada pastagem que me fiz
3
ouço a saída
herdo o dente agudo
a saliva
o sorriso malcriado
acrescento tudo
às minhas pernas domésticas
e caminho insone
cama adentro
calmo
até a próxima mentira
09 Novembro 2009
Monica Salmaso em "Beatriz" de Chico Buarque
Algumas cantoras saltitantes e contorcionistas deveriam passar horas ouvindo isso até aprender que para ser cantora a voz tem que ser protagonista, sempre
30 Outubro 2009
POETAS NO SINGULAR
Dez poetas estão lá mostrando a diversidade da poesia feita por aqui:
Antonio Carlos Floriano
Dennis Radüns
Ryana Gabech
Fernando José Karl
Raquel Stolf
Marcelo Steil
Rubens da Cunha
Valdemir Klamt
Cristiano Moreira
Marco Vasques
No site você pode ter uma amostragem dessas dez poéticas. Há também o blog www.poetasnosingular.blogspot.com que acompanha as últimas novidades literárias.
Cheguem por lá...
28 Outubro 2009
Palavras Emprestadas 15 - Al Berto
a segunda irrompe do corpo movendo-se por trás das palavras
extensas praias vazias onde o mar nunca chegou
deserto onde os dedos murmuram o último crime
escrever-te continuamente... areia e mais areia
construindo no sangue altíssimas paredes de nada
esta paixão pelos objectos que guardaste
esta pele-memória exalando não sei que desastre
e língua de limos
espalhávamos sementes de cicuta pelo nevoeiro dos sonhos
as manhãs chegavam como um gemido estelar
e eu perseguia teu rasto de esperma à beira-mar
outros corpos de salsugem atravessam o silêncio
desta morada erguida na precária saliva do crepúsculo.
Al Berto
In: O Medo - trabalho poético 1974-1997
Livro que a Alessandra me mandou de presente, a quem agradeço por ter me jogado dentro de uma obra lancinante.
19 Outubro 2009
deixa eu aqui, é quentinho...
eu rio. olho a vida lá fora e deixo o silêncio abrigar-se em mim, pois sei que quando eu precisar ele também me cederá seu pulmão.
27 Setembro 2009
Tragédias breves e anônimas VII
24 Setembro 2009
leitura
sentado numa pedra
a vida breve
tempo demais sem a pele de Léa
sem os liames de seu corpo azul
lia
sozinho
as passagens
dentro
paisagens nuas
desvestiam-se
saudosas dos adentramentos de Léo
sem o verbo amar
lia
para esquecer
novenas
paixões
olhos de cão
e para nunca mais encontrar
os dois perdidos
em seu sangue inóspito
10 Setembro 2009
Tragédias breves e anônima VI
31 Agosto 2009
24 Agosto 2009
Terras de Gabriel
22 Agosto 2009
Tragédias breves e anônimas V
O cinema no centro da cidade. Cartazes velhos.
Lá dentro pode ser o homem que não deve ser.
Alguém se ajoelha a sua frente, reza gostoso o pecador.
Quando sai o sol avermelha um pouco mais a culpa.
2
A boca ainda úmida do último esperma.
Seis horas dentro do cinema.
Com fome ainda, João espreita, escolhe, ajoelha e continua sua oração, sua ração diária.
19 Agosto 2009
Tragédias breves e anônimas IV
Enterrou a esposa no fundo do quintal há dois anos. Colheu ontem as primeiras tangerinas. Admirou-se com a doçura. A natureza é mesmo estranha, como pode dar tangerinas tão doces quando o adubo era de uma azedume só?
14 Agosto 2009
05 Agosto 2009
Inspirado em fatos reais 2
tudo apareceu azul
na minha vida-jacaré
eu tão acostumado a cinzas
e demais escuros sem ordem
enfeitei-me
azulescente
e agradeci
por uma morte tão linda
Capítulo VIII
ao amanhecer
a mãe antes de retirar a água do poço
olha a si mesma lá embaixo
desmanchada imagem de mulher
culpa desordem calafrio
joga o balde
puxa a água
bebe a largos goles
Olha ao redor
o filho ajoelhado diante dos porcos
é Deus pródigo pedindo perdão
22 Julho 2009
Inspirado em fatos reais
frágil e belo
feito um jacaré com um anzol no estômago
08 Julho 2009
Capítulo VII
há o silêncio no buraco-ilha
a mãe cozinha restos, miúdos,
o filho enxergaouve a fome
sobre os corpos
se adensará uma noite de glória e susto
23 Junho 2009
Tragédias breves e anônimas 2 - Bodas de Ouro
18 Junho 2009
Tiago e Iara
No blog da Clotilde - http://clotildezingali.blogspot.com/ - os oito capítulos dessa experiência que nos alegrou bastante. Aos que aqui se hospedarem, convido para uma visita ao blog de Clotilde.
17 Junho 2009
Capítulo VI
O teu pai sumiu nesse mato.
Ele nunca teve vontade de conhecer o outro lado. Às vezes fica em pé, bem no meio do roçado.
Gira em torno de si mesmo e observa tudo ao seu redor.
Nasceucresceu preso nessa jaula de montanhas.
Passa as mãos pelo nariz, nas orelhas. Ali queima alguma diferença.
Ô mãe, porque eu tenho essa cara de bicho?
Que cara de bicho, meu filho! onde já se viu isso?
Eu vi. Quando fui tirar água do poço. Lá embaixo não apareceu um homem.
Apareceu um bicho. E essa vontade que eu tenho de andar com as mãos no chão? E essa orelha pontuda? E esse agarramento que eu tenho com as crias aqui do sítio? Fala mãe, fala pra mim de quem eu sou filho?
13 Junho 2009
Tragédias breves e anônimas 1 - Irmãos
- Vem me tirar se você é homem.
No velório do irmão mais novo:
- Desculpa mãe, mas foi ele quem me provocou.
07 Junho 2009
Capítulo V
A mulher vez ou outra olha a saída.
Poderia ir. Deus ia me ajudar. Fugia daqui. Velha demais. O marido foi.
Ela olha os pés. Gravetos de carne frouxa.
Prepara o pão de milho. Tudo feito ali. Tudo feio nesse buraco ilha.
Certa vez comeu pão branco. De trigo.
Sonha ainda.
O filho cuida da roça.
Anda cada vez mais torto.
Não só as costas.
Ontem veio dizendo que a terra o chama todos os dias, por isso tem que andar de quatro, para por os ouvidos mais perto do chão.
Não posso perder, mãe, não posso perder o chamado da terra.
30 Maio 2009
Capítulo IV
Animais nos seus lugares.
Cumprem as funções estabelecidas. Envelhecem.
A mulher, viúva, encarde-se.
O filho focinha os cantos da casa.
Já pareceu mais bonito aos olhos da mãe.
Agora que desponta em pêlos e catingas vindas pela idade
a mãe começa a preocupar-se:
Danado esse menino. Crescido assim, logo ganha mundo e me deixa sozinha. Tenho que fazer alguma coisa.
A mulher chora pelos cantos.
Ladainha dia após dia.
E Deus pai perdoai esse teu filho sozinho
e Deus pai dai a nós saída desse mundo
O filho engraça-se cada vez mais com os bichos.
Vem dormir menino.
Vou não. Hoje fico aqui com a égua e as galinhas.
23 Maio 2009
Capítulo III
O homem perscruta o chão atrás de rastros, restos, vestígios que a porca tenha deixado.
Enquanto procura, também vai deixando seus vestígios para trás.
Uma passada mais forte amassando o arbusto.
O facão cortando os cipós, destruindo as bromélias.
Por um tempo ainda foi possível segui-lo.
Depois abandonou o facão, alguns restos de roupa ainda resistiram espetados nos galhos espinhentos dos pés de silva.
Depois mais nada foi visível.
A porca retornou no final do dia.
16 Maio 2009
Capítulo II
Naqueles ermos: nada amanhece realmente.
O menino suga o peito minguado da mãe.
A esposa está com as carnes mais moles do que era o costume.
Desinchou.
Não busca mais Deus na sujeira.
É mãe agora.
O marido terá que inventar um novo desejo.
Lembra-se da porca que fugiu do curral.
As orelhas do filho lhe parecem estranhas, mais brancas que o corpo.
- Nosso filho tem um nariz tão bonito, olha! diz a mulher - diferente. As orelhas também. Nosso filho será homem de botar inveja nos outros por tanta beleza.
O marido sai. Precisa achar a porca fujona.
13 Maio 2009
Paraíso, ou o amor pode ser uma piada
08 Maio 2009
Capítulo I
Ao fundo, uma coivara abandonada.
Deus está no pó, rezava a mãe desde que se soube grávida.
Nove meses sem limpar a casa.

O marido, resignado, cuidava dos porcos.
Finalmente o chão seria varrido.
Nos confins de uma quinta-feira, a criança nasceu.
a série
02 Maio 2009
Lulo Scroback - Por um Triz ( música de Gui - Rodrigo Pitta - Tchorta Boratto)
Acordei. Algo na memória. Era uma música. Há muito ouvida. Como tudo está preso na rede, eis a música que resgatei do meu passado.
19 Abril 2009
Croniqueta da vida cotidiana
- Por quê?
- Ando com umas idéias.
- Que idéias?
- Minha mulher, eu olho aquilo vindo, aquilo pedindo, aquilo dizendo é hoje bem!
- E...?
- E daí que eu vou matar a vaca, pico toda, boto no congelador por uns tempos, depois vou me desfazendo aos poucos... plano perfeito, não acha?
- É bom, sem dúvida, mas porque vender a geladeira e freezer?
- Tem os quatro filhos, vou ter que fazer o mesmo, não vai caber tudo na geladeira e no freezer que eu tenho. Vou comprar uns maiores.
- Eu compro o freezer. Lá em casa é só a mulher e a sogra anã. Acho que cabe tudo nele.
Croniqueta da vida política
05 Abril 2009
Convite - Poetas de hoje em diante





