23 Junho 2009
Tragédias breves e anônimas 2 - Bodas de Ouro
18 Junho 2009
Tiago e Iara
No blog da Clotilde - http://clotildezingali.blogspot.com/ - os oito capítulos dessa experiência que nos alegrou bastante. Aos que aqui se hospedarem, convido para uma visita ao blog de Clotilde.
17 Junho 2009
Capítulo VI
O teu pai sumiu nesse mato.
Ele nunca teve vontade de conhecer o outro lado. Às vezes fica em pé, bem no meio do roçado.
Gira em torno de si mesmo e observa tudo ao seu redor.
Nasceucresceu preso nessa jaula de montanhas.
Passa as mãos pelo nariz, nas orelhas. Ali queima alguma diferença.
Ô mãe, porque eu tenho essa cara de bicho?
Que cara de bicho, meu filho! onde já se viu isso?
Eu vi. Quando fui tirar água do poço. Lá embaixo não apareceu um homem.
Apareceu um bicho. E essa vontade que eu tenho de andar com as mãos no chão? E essa orelha pontuda? E esse agarramento que eu tenho com as crias aqui do sítio? Fala mãe, fala pra mim de quem eu sou filho?
13 Junho 2009
Tragédias breves e anônimas 1 - Irmãos
- Vem me tirar se você é homem.
No velório do irmão mais novo:
- Desculpa mãe, mas foi ele quem me provocou.
07 Junho 2009
Capítulo V
A mulher vez ou outra olha a saída.
Poderia ir. Deus ia me ajudar. Fugia daqui. Velha demais. O marido foi.
Ela olha os pés. Gravetos de carne frouxa.
Prepara o pão de milho. Tudo feito ali. Tudo feio nesse buraco ilha.
Certa vez comeu pão branco. De trigo.
Sonha ainda.
O filho cuida da roça.
Anda cada vez mais torto.
Não só as costas.
Ontem veio dizendo que a terra o chama todos os dias, por isso tem que andar de quatro, para por os ouvidos mais perto do chão.
Não posso perder, mãe, não posso perder o chamado da terra.
30 Maio 2009
Capítulo IV
Animais nos seus lugares.
Cumprem as funções estabelecidas. Envelhecem.
A mulher, viúva, encarde-se.
O filho focinha os cantos da casa.
Já pareceu mais bonito aos olhos da mãe.
Agora que desponta em pêlos e catingas vindas pela idade
a mãe começa a preocupar-se:
Danado esse menino. Crescido assim, logo ganha mundo e me deixa sozinha. Tenho que fazer alguma coisa.
A mulher chora pelos cantos.
Ladainha dia após dia.
E Deus pai perdoai esse teu filho sozinho
e Deus pai dai a nós saída desse mundo
O filho engraça-se cada vez mais com os bichos.
Vem dormir menino.
Vou não. Hoje fico aqui com a égua e as galinhas.
25 Maio 2009
Peixes

23 Maio 2009
Capítulo III
O homem perscruta o chão atrás de rastros, restos, vestígios que a porca tenha deixado.
Enquanto procura, também vai deixando seus vestígios para trás.
Uma passada mais forte amassando o arbusto.
O facão cortando os cipós, destruindo as bromélias.
Por um tempo ainda foi possível segui-lo.
Depois abandonou o facão, alguns restos de roupa ainda resistiram espetados nos galhos espinhentos dos pés de silva.
Depois mais nada foi visível.
A porca retornou no final do dia.
16 Maio 2009
Capítulo II
Naqueles ermos: nada amanhece realmente.
O menino suga o peito minguado da mãe.
A esposa está com as carnes mais moles do que era o costume.
Desinchou.
Não busca mais Deus na sujeira.
É mãe agora.
O marido terá que inventar um novo desejo.
Lembra-se da porca que fugiu do curral.
As orelhas do filho lhe parecem estranhas, mais brancas que o corpo.
- Nosso filho tem um nariz tão bonito, olha! diz a mulher - diferente. As orelhas também. Nosso filho será homem de botar inveja nos outros por tanta beleza.
O marido sai. Precisa achar a porca fujona.
13 Maio 2009
Paraíso, ou o amor pode ser uma piada
08 Maio 2009
Capítulo I
Ao fundo, uma coivara abandonada.
Deus está no pó, rezava a mãe desde que se soube grávida.
Nove meses sem limpar a casa.

O marido, resignado, cuidava dos porcos.
Finalmente o chão seria varrido.
Nos confins de uma quinta-feira, a criança nasceu.
a série
02 Maio 2009
Lulo Scroback - Por um Triz ( música de Gui - Rodrigo Pitta - Tchorta Boratto)
Acordei. Algo na memória. Era uma música. Há muito ouvida. Como tudo está preso na rede, eis a música que resgatei do meu passado.
19 Abril 2009
Croniqueta da vida cotidiana
- Por quê?
- Ando com umas idéias.
- Que idéias?
- Minha mulher, eu olho aquilo vindo, aquilo pedindo, aquilo dizendo é hoje bem!
- E...?
- E daí que eu vou matar a vaca, pico toda, boto no congelador por uns tempos, depois vou me desfazendo aos poucos... plano perfeito, não acha?
- É bom, sem dúvida, mas porque vender a geladeira e freezer?
- Tem os quatro filhos, vou ter que fazer o mesmo, não vai caber tudo na geladeira e no freezer que eu tenho. Vou comprar uns maiores.
- Eu compro o freezer. Lá em casa é só a mulher e a sogra anã. Acho que cabe tudo nele.
Croniqueta da vida política
08 Abril 2009
05 Abril 2009
Convite - Poetas de hoje em diante

02 Abril 2009
Palavras emprestadas 14 - Adriana Versiani
sobre água salobra
da boca escorre iodo
que espuma no mar
sem vida nem bócio
Dura trajetória de três séculos
Toda escravidão tem três séculos a partir do momento em que
colocam os ferros.
Um veio de sangue
jorra das narinas
castigadas pelo sal.
o sol reflete o céu no chão escaldante do deserto.
24 Março 2009
ele
esquina de pedra
ela
enigma
barro barroco
em mãos cautas
2
ele
luz atarefada
ela
dobra
salmora verde
limo na fissura
1+2
poucos
parcos
vastos
vistos
12 Março 2009
Helga - a que se deixa
Ilustração: Howardena Pindell
06 Março 2009
Libertação
Alguns médicos e enfermeiros não se adaptaram bem à camisa de força...
02 Março 2009
Amanda - a devoradora
Amanda olhou os retratos, não gostou. Más recordações. Lembrou-se da mão do fotógrafo sobre a blusa. Abre um pouco, ele falou. Ela abriu mais que a blusa. Sempre abria mais que a blusa. Gostava disso, o problema é que o fotógrafo foi o último homem que Amanda devorou.
Com os outros, sempre obtusos, tinha sido fácil. Alguma dissimulação, um sal diferente nos olhos e na língua, e pronto, Amanda os comia inteiros, almoço e janta. Porém com o fotógrafo algo aconteceu, ele não ficou pronto de imediato. Ela articulou outras possibilidades: adensou os carinhos, salgou ainda mais olhos e língua, com isso tirou muitos retratos, expôs-se tanto, beirando o avesso, que teve medo. De nada adiantou. Ele não ficava pronto para o devoramento. Amanda partiu para uma ideia absurda, homem nenhum exigiu tanto de si: ela o abandonaria, disse que ele era pouco para sua fome. Quase não acreditou quando o viu vindo de volta, pedindo guarida, dizendo-se que agora seria suficiente para saciá-la. Amanda, só para ter certeza, renegou mais um pouco, mas foi traída pelo rosto desejoso da carne do fotógrafo. Ela repreparou tudo, refez tudo o que sabia, ineditou alguns passos e numa noite chuvosa, semifria, devorou o fotógrafo. Antes pediu que ele batesse algumas fotos suas, nua na janela, sempre sonhara com isso, e essa era hora de realizações. Ele fez seu desejo.
Amanda continuou olhando os retratos daquela noite. Nunca mais conseguiu provar de tão precisa carne masculina. Tentou outros, mas sempre com o gosto dos primeiros, por isso jogava-os fora, aos cães e porcos. Nunca mais mastigou algo parecido com o fotógrafo pois sabia que ele viu sua alma também nua na janela. Amanda chorou mas não destruiu os retratos. Chorou mais por sua condição: ao devorar o perfeito, extingue o perfeito. Soube disso e disse adeus ao desejo. Iniciou pelo joelho direito e o tornozelo esquerdo um autodevoramento contumaz.
Restou apenas a parte da mão, o polegar e o indicador segurando firme, quase tristes, a foto da moça, da alma, nua na janela
21 Fevereiro 2009
Ângela e a vingança
12 Fevereiro 2009
09 Fevereiro 2009
06 Fevereiro 2009
Evaldo, o orgulhoso
02 Fevereiro 2009
29 Janeiro 2009
Palavras Emprestadas 13 - Georges Bataille
26 Janeiro 2009

santifico
pélvis ânus
arcanjo aéreo
na missa de domingo
vitimo hóstias
duas culpas
:
o gozo
entre dentes
o pai
farejando o soco
Fernando Karl
Casa de água é uma antologia que reúne 200 poemas.
Nessa antologia também foram incluídos 30 desenhos de sua autoria.
Eis os títulos que compõem o Casa de água:
1. Tema para romance;
2. No verão amadurecem os chapéus
3. Desenhos mínimos de rios;
4. Diário estrangeiro;
5. Travesseiro de pedra;
6. Brisa em Bizâncio
7. Se eu mesmo fosse o inverno sombrio.
Caso v. queira adquirir o livro Casa de água, é só entrar em contato com o Antonio, dono do Sebo Dom Quixote, na cidade de São Bento do Sul/SC, e solicitar um exemplar a ele através do
contato@sebodomquixote.com.br
Telefone do Sebo Dom Quixote: 47-3633-5365.
www.sebodomquixote.com.br
Detalhe: o Casa de água só pode ser encontrado no referido sebo.
O preço do livro é de R$ 30,00 + o valor do impresso registrado (que custa mais ou menos R$ 4,00).
22 Janeiro 2009
Fogarear

cheia de veneno
e
avança - cobra -
nos tornozelos
untados do poeta
ele geme
estanca delira
e
manca - morto -
em fome cumprida
de verso e alegria
19 Janeiro 2009
Artigo - Anexo Ideias
A poesia por inteiro
DE CRONISTA PARA CRONISTA: REGINA CARVALHO ESCREVE PARA RUBENS DA CUNHA
REGINA CARVAHO FLORIANÓPOLIS
15 Janeiro 2009
quase um sonetinho terroso
fuce poeta. atrás -por trás - da palavra.
ela vai dizer que não quer. que é moça.
fuce. force. não fale a verdade:
fale: salvação. escória. ventre.
talvez ela olhe e mostre a língua.
ou o lábio encarnado enganando a boca.
ou contorça-se em mesóclise. talvez.
não fuja. enfrente. gadunhe com febre.
a palavra falseia mas gosta dos cantos.
das entraduras sem que ela peça.
vá. cresça dentro da palavra. esqueça
vergonha menoridade castigo.
faça seu dever de porco. de macho.
06 Janeiro 2009
Continho aquoso

Prêmio Dardos
Agradeço imensamente. Agora tenho que escolher 15 blogs para repassar o prêmio. Assim, eis a lista dos meus indicados:
Borboletras no Quintal
Clotilde Zingali
Conto de Facas
Os Textos que nao Mostrei a Ninguém
Um Sentir Complementa o Outro
Ovo Azul Turquesa
Invento
Jardim de Poesia
Lômas Stoff
Mainieri´s
Poema e Filosofia
Piano
Pensar é um Ato
Lua em Libra
Vomitando Imagens
05 Janeiro 2009
Eis-me
No dia do lançamento do "Vertebrais" teve entrevista para uma televisão local. A Rosane trabalha comigo na mesma escola e também faz parte desse programa: Alma da Terra.
Detalhes Técnicos:
1) O programa é focado na cultura gaúcha, por isso o nome, o logotipo e a música inicial. Mas, às vezes eles cobrem outros eventos culturais.
2) Os nomes dos ilustradores, às vezes, não batem com a ilustração mostrada.
Detalhes Pessoais:
1) Tenho a língua presa, portanto não é defeito no áudio. :)
2) A timidez latente ainda não me deixa saber o que fazer com as mãos.
02 Janeiro 2009
previsão para 2009
dez promessas (despromessas?)
serão cumpridas no sonho
que outro ardil não tenho
que milagres não consigo
ainda
falta-me paciência:
para colar as vontades na geladeira
para batizar-me diariamente
com alface e exercício físico
quem sabe se vocês trouxerem
um chicote
talvez um pouco de dinheiro
uma traição
um pé na bunda
quem sabe assim
minhas despromessas não virem
lindamente (antipoeticamente)
objetivos a serem alcançados?
29 Dezembro 2008
Canções
Investigo músicas, canções e percebo que só as mulheres deveriam cantar.
Esta é a portuguesa Maria João. Apesar de considerá-la um tanto excessiva no gestual, fiquei impressionado com a idéia do clip.
Elza Soares num momento resposta, década de 60. A grande diva da música brasileira continua ativa e a frente do seu tempo. No vídeo abaixo Elza transcende.
Rosa Passos é mais conhecida fora do Brasil, como se pode ver nos inúmeros vídeos com shows lotados. Aqui, no baixo trópico, ela privilegia apenas quem acredita que haja vida musical fora da mídia televisiva e radiofônica.
Mariana Aydar se apresenta como uma das vozes mais intensas da nova geração. Aqui acompanhada por Leci Brandão.
22 Dezembro 2008
anteveja! anteveja!
e eu disse:
- não posso, escureceram-me dentro, só posso crer.
cortaram-me a cabeça para que a luz entrasse e o futuro fosse branco
- agora antevejo!
menti
deixaram-me em paz
no lugar da cabeça a crença sombreia meu corpo iluminado
16 Dezembro 2008
Poços de Visita
07 Dezembro 2008

Imagem: Jasper Johns
01 Dezembro 2008
Hilda Hilst

breve conto de safadeza
- Tenho uma dinamite de carne bem aqui - Ele atacou.
Explosões foram ouvidas à distância.
27 Novembro 2008
24 Novembro 2008
20 Novembro 2008
11 Novembro 2008
A Confissão


Nunca mais o vi, não, tenho poucas saudades dele, na verdade tenho nada de saudade, apenas a lembrança dos dedos, eram máquinas artísticas aqueles dedos, febreando-me por baixo, não sou mulher de apelos fáceis, não é qualquer mão que rapta minha pele para a loucura, mas aqueles dedos! Pareciam mais úmidos que o eudentro, pergunta-me se eu o amei? Digo que não, é pouco o amor, é pouco para saciar-me, homem nenhum chegará ao meu poçofundo, homem nenhum tem competência para isso, lembro que em certo tempo de dúvida, experimentei uma mulher, é nos iguais que estão os mistérios, foi o que me disseram, ela era delicada demais para minhas carnes, vaguei em muito até encontrá-lo, era tímido, não olhava nos olhos, custou adestrá-lo, custou fazer com que me possuísse fêmea que sou, não tinha pecado, mas tinhas os dedos, matéria bruta, eu os lapidei nos quentes, eu os fundi nos baixos, os dedos sobrepuseram o todo corpo dele, não pedi mais beijo, saliva, esperma, estes adubos da paixão, pedi apenas o silêncio das mãos soleando-me, já fui muita coisa viva em mão de homem: cabra, égua, vaca, cadela, mas ele me deu a música: na mão dele virei cítara, harpa, delgada lira saciando Eurídice, deliro, sei que desvio, agora que estou só percebo o quanto aquelas mãos me alimentaram, se eu não fosse tão vil, tão mínima nos sentimentos, estaria ainda recostada no que ele tinha de melhor, mas como disse, sou avessa às rotinas, começou a me perguntar coisas, a me pedir coisas que andam na cabeça das gentes tontas, que coisas? Ora, o amor, o casamento, uns filhos pela casa, estes infortúnios da normalidade, estas noites na frente do sol, tive que afastá-lo, destruir suas alegrias, era homem demais para meus dias, impossível, a sorte tem que sempre vir com o entulho, o útil vem sempre com o inútil, homens são assim, pensam, querem coisas, falam demais, pedem sacrifícios, não sou mulher que conceda, eu quero sempre tudo, acho que isso é uma música, não sei mais o que falo, sei que me doem os quadris, me faz falta o fogo dos dedos, me faz falta o deslizar dele entre os lábios, isso, os de lá embaixo, os de cima servem para falar, os de baixo para saber que um coração nunca é neutro, eis minha desgraça e descrença, um coração nunca é neutro, o meu, repudiador nato, gladiador feroz, não conseguiu, se viu banhado em miséria, vítima, perdoe-me se choro, descobrir isso, arremessar isso para fora, não é fácil, o coração nunca é neutro, nunca mais as noites em luxúria, aqueles ventos, aqueles vermelhos, aqueles dedos comendo-me, está certo, eu menti, tenho muitas saudades dele, tenho muito amor por ele, tenho em mim um rio de desejo que ele volte, ele esteve no meu poçofundo, os dedos dele chegaram lá, perdi a virgindade com aquelas mãos, está rindo do que? Não falo da virgindade aparente, o hímen físico, falo daquela escondida, nas funduras, estou calma, bem, eu fui pedir, eu fui, joguei-me arrependida, disse que agora não, que agora tinha voltado as esferas da vida, mulher nova, grávida, casa, filhos futuros, carro na garagem, não usava mais os dedos, apenas a carne inútil da pélvis, desperdício, gritei, desperdício, eu te fiz, eu te criei, eu te arquitetei, e agora dormes com essa sem-nada, essa sempre-igual, riu um pouco de mim, por isso eu o matei, não sou mulher de razões, mas uma eu tenho, se não posso ter os dedos, outra qualquer não vai ter, estão aqui os dedos, pode enterrá-los com o resto do corpo, já me saciei com eles, não foi como antes, mas me vinguei, dele que não voltou pra mim e de mim que o expulsei, as pessoas se enganam e pagam por isso, um coração nunca é neutro e eu paguei por isso.
FOTOS: ENÉAS LOPES
09 Novembro 2008
Vôo
ele foi embora.
Ela,
desaguentando a solidão,
o seguiu.
Duas belas quedas na tarde festiva do litoral.
05 Novembro 2008
31 Outubro 2008
21 Outubro 2008
nudez e chuva
compuseram
a mulher louca
gritava pássaros
e desordens
preenchia de luz
a manhã-asfalto
assaltou os passantes
roubando-lhes
o sono e a inocência.
15 Outubro 2008
Fotos do lançamento do VERTEBRAIS

A poeta Clotilde Zingali lendo a Vértebra: 'pai lavra-nos', atrás uma das ilustradoras: Helga Tytlik.


aqui, eu, no final da festa, pós-parto, ainda meio desacreditando que esse já nasceu, e lá estou de novo com o ventre livre.
12 Outubro 2008
Palavras emprestadas 12 - Adriana Versiani
Do livro "A Física dos Beatles"
p.s. pode ser lido ouvindo a canção abaixo, porque Adriana também é mais líquida do que sólida.
07 Outubro 2008
Asa de mármore
ventilar-me mesmo.
homem seco:
sacro desuso.
não tenho tempo
de temporar-me quase.
peso e queda
compõem meu vôo:
asa de mármore
nas costas frágeis.
26 Setembro 2008
Palavras Emprestadas 12 - Olga Klaus
_ Vê, mãe, tenho que te contar.
…
_ Ora, Liliana, não fale dessas coisas! Você é uma mocinha, mocinhas não falam essas coisas!!
Outro dia, a menina de cabelo curtíssimo picotado às pressas com a tesoura sem ponta do estojo escolar.
_ Vê, mãe, agora sou um mocinho. Deixa eu te contar…
Olga Klaus
Li aqui, depois do susto trouxe para cá
23 Setembro 2008
19 Setembro 2008
16 Setembro 2008
12 Setembro 2008
há tormentos lacrados em meus olhos
grita um igual longe daqui
meus olhos também lacram
logram o dia e vasculham
noites
foices
coices de mula
misérias tantas chovem
movem meu sangue
na direção
do silêncio falido
caído lúcifer
brincando de roda e inocência
10 Setembro 2008
Palavras Emprestadas 11 - Gilles Deleuze
In: Conversações, Editora 34.
07 Setembro 2008
Breve conto de maldade 3 - Viagem
Ele viajaria à noite. Europa. Trabalho.
Eu ligo, pode deixar. Ela desacreditou. Homens locais nao ligam. Este transoceânico ligaria? deu o número. Cedeu à velha e ditadora esperança feminina. Ele repetiu, chegando e me instalando eu te ligo. Ela vislumbrou verdade nos olhos dele. O chicote da esperança fustigava-lhe as carnes.
Dois dias depois.
Já deu tempo. Avião nenhum caiu. Claro que não liga. Estúpida. Seria a última noite de espera. Em casa, sozinha. Banho demorado. A mão dele parece que nao viajou. Estão ali, mão e língua, no entre as pernas, fazendo o que deve ser feito em uma mulher.
Dorme. Não Dorme. O telefone ao lado. Última noite de espera. Calcula o fuso horário. Já tinha tido tempo de se instalar. Resolveu se despedir. Melhor, matá-lo.
Trinta e três dias depois.
Insônia. Telefone ao lado da cama. Um fantasma vem lhe penetrar todas as noites. Sentada à janela, a esperança ri com um chicote nas mãos.
23 Agosto 2008
Breve conto de maldade 2 - Rotina
Breve conto de maldade 1 - Cotidiano
- Sim.
- Posso saber por que?
- Nada.
- Nada?
- É, nada, você se transformou em nada, então termina aqui.
Ponte distante da cidade. Rio cheio por causa das chuvas recentes. A namorada amarrada, pés, mãos, bem firme.
- Nada agora vagabunda! que eu quero ver!
19 Agosto 2008
Espera
Do outro lado daquela porta seu futuro breve dependerá da informação do médico:
sim, não.
Olha para a atendente,
as outras pessoas que esperam,
a televisão no alto, desenho animado,
os informativos pregados na parede,
um quadro estranho, um risco sobre um papel branco,
as tubulações do ar condicionado,
os computadores,
as revistas velhas,
a porta de vidro,
a porta da sala do doutor,
dali virá a voz que pronunciará seu nome,
acaricia o revólver dentro da bolsa, o futuro traçado.
Caso positivo, o tiro seria ali mesmo, na sala de espera.
Não esperaria a morte chegar, definhar seu corpo,
não agüentaria os olhares de asco e pena.
Um sim do médico seria um sim da bala atravessando sua cabeça.
Caso negativo, não iria sujar o piso branco do consultório.
O doutor não mereceria o escândalo e o susto.
Iria até seu apartamento, deixaria a porta aberta para que encontrassem seu corpo mais fácil,
talvez um bilhete explicando,
talvez apenas o resultado do exame negativo gerando dúvidas.
Ouve o nome,
seu nome,
a perna treme, respira fundo, levanta-se, entra na sala do doutor,
sente-se por favor,
olha a cadeira, branca como o uniforme do médico, bonito.
Então doutor, o que temos?
Sua própria voz chega aos ouvidos segundos depois de pronunciada.
O doutor mexe os lábios, parece cansado, está suando na testa, falou algo,
disse o quê?
O revólver esquenta a palma da mão.
O gatilho delicado pronto para o uso.
Só precisa saber se ali na sala de espera ou na sala de estar do seu apartamento.
Só disso precisa saber.
O médico está com o exame nas mãos, seu futuro.
Ela está com o revólver nas mãos, seu futuro.
11 Agosto 2008
quase forte
se acaso finge
ser nuvem água rio
traz no corpo
um palco aceso
e líquida de silêncio
dança
06 Agosto 2008
Inverno
A Casa de Paragens oferece um pouco de melancolia e beleza neste agosto recém iniciado.
Flávio Venturini & Milton Nascimento - Casa Vazia
Vértebra 4 - O Riso Bíblico
31 Julho 2008
Vértebra 1 - O outro tropeça-me
Entrevista
Aos que aqui chegam, convido para chegar por lá também.
29 Julho 2008

a ilusão assovia
- aço sobre a carne -
gritolâmina
descascando
- lento e preciso -
o que é preciso
ser descascado
22 Julho 2008
20 Julho 2008
Quebra de Rotina
- Hi! Agora já matei.
- Então, não desperdiçarás. - Retrucou a mãe canibal, ainda não acostumada às novas moralidades do marido.
19 Julho 2008
Pintura nova
Depois de quase três anos, resolvi pintar as paredes da Casa.
Cores mais claras para abrigar minha escrita e seus olhares.
A ilustração que acompanhará o Casa de Paragens é de Estevão Teuber e estará no meu próximo livro de poemas. Eu a trouxe para cá porque acredito que ela traduz em imagem a voz poética deste espaço.
18 Julho 2008
15 Julho 2008
Laoviah
nojo e beleza
sossegam na folha
na lentidão
ela celestia-se
em silêncio de rastejo
nos dias de lua
é possivel ler
nas pupilas da lesma
as últimas loas
do anjo Laoviah
13 Julho 2008
12 Julho 2008

08 Julho 2008
Nádia e as abelhas
03 Julho 2008
Série "casais" - Passeio
02 Julho 2008
Palavras emprestadas 10 - Frederico Mira George
Frederico Mira George
Emprestei dele esse poema, pois há muito não lia algo tão intenso
fechou-se o palco com um actor lá dentro
fecharam-se as cadeiras
as luzes
os alfabéticos-pirilampos
baixou o lustre com os grandes e os
pequenos cristais de quartzo
correu a cortina de ferro
fechou-se o palco com um actor lá dentro
nesta casca de ovo o actor
respirou
enfim
por fim
até ao fim
e silenciou-se numa espécie de chão
e madeira
lembro assim o actor que foste
e as horas que passo sem ti
hoje
dia em que também estou fechado no ovo
respiro o fumo que deixaste do último cigarro
e é de um corpo triste e derrotado
que faço a minha vitória
Frederico Mira George
29 Junho 2008
atrás do vidro azul.
Cresceu transparente:
silêncio de vento vazio.
Carolina sonhou cântaros.
Catou gris pecados
no fogo fêmea
da fina ilusão.
Depois que tudo
foi apedrejado pelo tempo,
Carolina coseu para si
um manto de renúncia
e desmaiou, órfã,
sobre a lápide da palavra.
27 Junho 2008
Para ler aos gritos
a liberdade
amacia folhas
peles
papéis
a liberdade
acaricia
os desníveis do ser
e soa
sonha intrínseca no
sangue humano
e inumano
que o livre
desescolhe morada
o livre aporta
sobre coisa qualquer
que se faça
recipiente
escolhas
escalas
escadas barítonas
da palavra
o livre livra
todo
corpo cárcere
o livre abre
expande
esclarece
verbo pleno
plano de vôo e fuga
águia gavião
libélula
liberdade ave
de arribação
ave mítica
fênix
pégasus
ícaro
ardência nos costados
tangível apenas
pelo espelho
concêntrico
do sentir-se
liberdade
poema invisível
ausente
preenchido
somente
com desejo
e delírio
24 Junho 2008
Inhoçara
nas costas de quem te carrega.
És madeira para caibros,
para mangueiras e currais.
Aprisionas bem bois e porcos.
Isso és quando te deitam
fora da capoeira.
Antes, te fazes
casa de sabiás e sanhaços.
Na tapeçaria de tuas folhas
ávidos marimbondos
fornicam, vivem, morrem.
És frágil frente à tucaneira,
o cedro, o garapuvu.
Apenas o teu nome
te defende: Inhoçara.
seqüencia 2 - a nudez
não serve ao calabouço
dos entregues
a nudez
se neblina e some
sumo no livro sagrado
a nudez
serva serena da vergonha
se disfarça em organza
e desaparece - defunta vestida - entre árvores e silêncio
seqüência 1 - a pele
a pele
debaixo do olho
fosforeia a noite
vermelha da agonia
17 Junho 2008
fogo baixo
Vestígios de um Sinônimo
Ele dirige e ri. Só não consegue rir da paixão secreta que ele e a esposa sentem por Moisés.
Moisés é seu irmão, irmão gêmeo.
Marcos, com algum custo, casou-se com Sílvia. Moça pobre, desprovida de maiores encantos físicos, mas simpática e atrevida na cama. Vai ser boa esposa, disse o pai, e depois como você vai arranjar coisa melhor? Iria casar porque tinha que casar.
Chega em casa. Despe-se. Sílvia dança encostada na parede. Segura uma foto. Alisa-a contra os seios, entre as pernas, lambe a foto. A foto do teu irmão e eu fodendo agora de manhã. Olha. Marcos ajoelha-se para pegar a foto. Ajoelha mais. A esposa pisa sobre sua cabeça. Ele chora sobre a foto do irmão. Eu tinha que estar no teu lugar, eu tinha que ter Moisés colado em mim, sobre mim, debaixo de mim, ao meu lado, mais que irmão, mais que amante, eu tinha que ser Moises, ser ele, ser ele, não podia ser eu, tinha que ser ele. Silvia levanta o marido. Provoca-o com palavras duras e doces. Pára de se lamentar, você tinha um encontro marcado comigo, então, vem me comer, vem misturar tua porra com a do teu irmão dentro de mim, vem ser o que ele foi há menos de duas horas. Seja homem de verdade Marcos, fode comigo como se você tivesse fodendo com teu irmão, como se ele tivesse fodendo aqui com a gente.
E Marcos se engrandece, possui a esposa, o irmão, a si próprio, com voragem pouco vista em homem.
E Silvia ama ser amada pelos dois, ou por um só, já não sabe mais.
E a felicidade se manifesta plena numa tarde de segunda-feira.
16 Junho 2008
10 Junho 2008
Variações no Espelho
Dentro
no húmus calabouço do corpo
o sopro sobra vasto
voz
porto
2
Dentro do calabouço
o húmus do corpo
sobra um sopro
vasta voz
porto
3
Dentro do corpo
no calabouço húmus
a sobra sopra
voz
vasto porto
09 Junho 2008
nos esconjuros
rosários
homens voejam sobre bucetas
ávidos de mais dor
mais dor e vento
estorvam a pele
descascada das mulheres
fáceis
frágeis ostras
nadam
no vocábulonada
dos machos
mesmo assim
somente elas podem
sentenciar a vida
a pastagem da vida
Mair Nazário Souza
E Deus se compadece da voz tenra de Mair e o resgata. Depois disso, passou a carinhá-lo todas as manhãs.
- Isso é um escândalo!
Depenou-se o Espírito Santo, acompanhado por um Jesus envolto em ciúme.
Mas Deus, irredutível, afirmou que Mair é seu preferido. E que agora a santíssima trindade será uma santíssima quadratura.
01 Junho 2008
Iansã Maria da Silva
Passou mal, a pobre.
Rezou avemarias, painossos, esconjuros escravos.
Dormiu ao som Mozart, vindo da caixa de música dada pelo pretendente: Antenor Messias, um goiano raquítico e pescador.
Sonhou com orikis,
elefantes
e um homem africano impossível às palavras castas.
Sede
sede demais no lado baixo da cabeça
sempre
um sussuro de cascalhos
perfazendo - frágil -
casulos
temporais
medos de chumbo
abrir a janela?
por luz dentro do quarto
e
desfazer a lei da noite adâmica?
não há palavra
que responda
ao sopro do deus do rascunho
somente existe
o longo atalho
até o fora que nos compõe
30 Maio 2008
conto biográfico 3 - (fechando a trilogia)
Então a janela tornou-se uma guilhotina.
Dentro da casa, seu corpo decapitado tateia paredes.
Fora, a cabeça migra para o sul com um bando de patos selvagens.
27 Maio 2008
Conto biográfico 2
Eu disse:
- Vira tigre, nuvem!, ou então vira peixe, formiga, cavalo-marinho!
E a nuvem teimosa retrucou-me:
- Sou nuvem, querido, nuvem! não me venha com animalidades terrenas. Sou alta e etérea, querido, alta e etérea! Por que será que você tá aí embaixo, mínimo, com a cabeça levantada, tentando me animalizar? Olha pra você, seu incapaz de vôo!
E a nuvem virou-me as costas e seguiu, alta e etérea.
Eu me curvei humilhado e mais humilhado fiquei quando percebi um bando de borboletas rindo da minha cara.
26 Maio 2008
conto biográfico
- Oceano, vou-me embora, pois nunca ouvi tua voz.
O peixe sobrevoou savanas, estepes, geleiras, até que conheceu um lince.
Virou almoço.
O lince apreciou sobremaneira as guelras.
- Algo assim para os reis.
Gabou-se garboso aos outros linces.
Atum frio
23 Maio 2008
Mais um caiu
lágrima língua
aos que aqui se hospedam, convido-os para visitá-lo também
17 Maio 2008
salmo agônico
espera os homens
na curva do futuro
Os homens chegam
vazilentos, sombrios
e sangram a morte
com perguntas de adagas
por que agora?
por que manchas nossa carne
com tuas ferramentas?
acaso existe esquecimento em ti?
A morte
feito mãe insalubre
recolhe os homens ao peito
amamenta-os
e fica silencioesperando
pra sempre
Às palavras dos amigos...
14 Maio 2008
11 Maio 2008
Banho
vontade de lavar-se dentro
o sabonete
de tanto conhecer a pele
foge ralo abaixo
nos olhos duramente lavados
duas estiagens absolutas
© Rubens da Cunha
08 Maio 2008
28 Abril 2008
Breve 1
22 Abril 2008
Unofamília – Breve história de amor
- Não, em homenagem ao Alfredo que não gostava de limão.
Comem à cabeceira da mesa. O pai acaricia a testacadáver do filho.
- Por que a morte gela a carne querida? A batata não cozinhou o suficiente, desculpe querida.
- Por que será que o matamos? Não haveria outra solução. Ele está bonito, me passa o almeirão, parece tão tenro.
- Quem? Alfredo ou o Almeirão?
- Os dois. E se os comêssemos?
- Somos vegetarianos, querida, não podemos comer carne. Princípios são princípios.
- O que vamos fazer, será que não vão perguntar por ele?
O pai passa a lavar os pratos.
- Creio que não querida, Alfredo não era um homem que despertasse perguntas, todos só lembravam dele quando o viam, não o vendo, não haverá perguntas.
- E os restos deste corpo, o que faremos? A carne logo desaparecerá, mas e os ossos, se pelo menos o Rex estivesse por aqui.
- Se Rex estivesse vivo, Alfredo estaria vivo, querida.
A mãomãe alisa a nudezmorte de Alfredo.
- Meu filho, matá-lo foi um bem, aquele seu ato, aquele ensopado. Era o Rex, Alfredo, o cão, a reencarnação de nosso mestre Chenrezig, comê-lo ensopado! E pior, exigir que comêssemos também, Alfredo!
A mãe sexosenta-se sobre o corpo do filho. O pai dedotoca-se. Olham-se amorosos.
- Isso, querida, convença-se, acredite, ele estava descontrolado. Apontou-nos uma arma. Não tivemos escolha.
E gozamvivem a noite toda. Ora a mãe, ora o pai voampesam sobre a pélvis gélida de Alfredo.
Amanhecem entre restos de cenouralface.
A mãe num sustogrito:
- O que você fez com Alfredo?
O pai olhacorda-se. Desespera-se. Alfredo não está.
- Como pode, querida. Ele estava aqui, amamos Alfredo a noite toda, quando cansamos, dormimos aqui. O que aconteceu?
A porta se abre. Alfredo vemfeliz da cozinha.
- Mãe, Pai, fiz o desjejum para vocês, em agradecimento por terem me trazido de volta. Foi o amor carnal de vocês que me fez retornar à vida.
Pai e mãe mantrajoelhados, em transe de adoração. Alfredo prepara a mesa. Pratos. Talheres.
- Sentem-se meus amores, preparem-se para o banquete. Vocês precisam de muita proteína para me amar todas as noites. Só assim continuarei vivo.
E Alfredo trouxe de entrada, peludopatinhas assadas. Após, pratoprincipal, um ensopado agridoce com a parte mais nobre da reencarnação de Chenrezig.
17 Abril 2008
Ela ardeu
estocou estacou
e disse:
08 Abril 2008
03 Abril 2008
Palavras Emprestadas
No descomeço era o verbo.
Só depois é que veio o delírio do verbo.
O delírio do verbo estava no começo, lá onde a criança diz:
eu escuto a cor dos passarinhos.
A criança não sabe que o verbo escutar não funciona
para cor, mas para som.
Então se a criança muda a função de um verbo, ele
delira.
E pois.
Em poesia que é voz de poeta, que é voz de fazer
nascimentos --
O verbo tem que pegar delírio.
Manoel de Barros in O Livro das Ignorãças
25 Março 2008
Jardim
as pétalas nuveiam-se íntegras
11 Março 2008
poço
tijolo
musgo
escura água circular
vez ou outra
uma rã desastrada
o menino narcisa-se
Às palavras dos amigos... II
gostam uma das outras
mais do que podemos imaginar
duas poetas exerceram seu ofício
a partir do meu ofício
Andréa Motta no Jardim da Poesia
e
Cecília Cassal no Lua em Libra
Muito do poeta que sou se sustenta por esses diálogos,
às minhas iguais, novamente obrigado
04 Março 2008
espírito disfarçado
em pássaro
peca o desejo
sempre a mesma hóstia
sob a carne consagrada
peça o desejo
e lhe será dado
mais que
que o milagre da palavra
Às palavras dos amigos...
a eles, agradeço com profundezas,
a vocês, que vieram hospedar-se nessas paragens, convido a conhecê-los, para além do que falaram do meu livro... Em cada uma destas casas há um mundo de poesia e deslumbramentos.
Edna Battaglini, Vendaval com Poesias
Alex Pinheiro, InventO
Felipe Damo, Os textos que não mostrei pra ninguém
Enzo Potel, Conto de Facas
26 Fevereiro 2008
teu absurdo
enquanto
gritas para mim
um substantivo espasmo
grifo
teu contorno
enquanto
dormes adjetivada
por minha vigília
20 Fevereiro 2008
- casa em desarvorado acaso -
é como se ruasse os fugitivos
em mais desabrigo
e desse a eles
não só a distância
mas toda uma estrada
sem curvas
sem nervos
13 Fevereiro 2008
Resenha: O mundo que transborda de si
Aqui no blog do Italo: Um Sentir Complementa o Outro, vc pode ler além da resenha outros textos dele.
07 Fevereiro 2008
Três histórias de amor
eu lhe disse:
cuida do teu pasto, cordeiro!
surdo a si mesmo
olhou-me lã e maciez
pediu para ficar
obedeci
2
ele e o gato sonoleavam
sobre a cama
gritei escuros
eles acordaram
a gato fez-se estrada
ele amanheceu em mim
3
tinha esquecido
perdoar é ser lobo
conseguiu
solidão e luar
uivam seu futuro

















